Postado 1/08/2022 as 6:40
As nascentes são fontes de água que surgem em determinados locais da superfície do solo e são facilmente encontradas no meio rural. Elas correspondem ao local onde se inicia um curso de água (rio, ribeirão, córrego), seja grande ou pequeno.
As nascentes (ou mananciais) se formam quando o aqüífero atinge a superfície e, conseqüentemente, a água armazenada no subsolo jorra a (mina) na superfície do solo.
Nascentes não são apenas os conhecidos olhos d’água, mina d’água, fio d’água, cabeceira e fonte, distribuídos nas grotas das áreas rurais, mas sim, todo um sistema constituído pela vegetação, pelo solo, pelas rochas, pelo relevo, etc.
As águas das chuvas que se infiltram na terra e abastecem o lençol d’água subterrâneo são responsáveis pelo surgimento das nascentes.
Para a proteção de nascentes são recomendadas medidas simples, de baixo custo e práticas.
A primeira e principal medida é cercar a nascente, numa distância de 50 metros do “olho d’água. Neste caso, a própria natureza irá promover a regeneração do local, fazendo ressurgir plantas típicas deste ambiente, que contribuirão para sua preservação.
O processo de recuperação e conservação das nascentes consiste, basicamente, em três fundamentos básicos, ou seja, proteção da superfície do solo, criação de condições favoráveis à infiltração da água no solo e a redução da taxa de evapotranspiração.
Assim, todo e qualquer planejamento técnico, no sentido de conservar ou recuperar uma nascente, tem como princípio básico criar condições favoráveis no solo para que a água da chuva possa infiltrar ao máximo e abastecer uma ou mais nascentes que se encontrem associadas a ele.
As matas ciliares são tão im¬portantes para a proteção de rios, lagos e nascentes, como são os cílios para os nossos olhos. Sem as matas ciliares, as nascentes secam, as margens dos rios e riachos solapam, o escoamento superficial aumenta e a infiltração da água no solo diminui, reduzindo as reservas de água do solo e do lençol freático.
Assim, as matas ciliares devem ser conservadas e em muitos casos recompostas para a proteção das nascentes, neste caso, com aparo legal na Resolução SMA nº 08/2008.
A vegetação em torno das nascentes funciona como barreira viva na contenção da água proveniente das enxurradas.
Na recomposição da mata ciliar é importante priorizar espécies nativas da região que geralmente são divididas em pioneiras e clímax e em alguns casos em pioneiras, secundárias iniciais e clímax.
As espécies pioneiras são de crescimento rápido e produzem uma grande quantidade de sementes, facilitando assim a renovação natural da área plantada, já que possuem duração máxima em torno de 20 anos. Exigem muita luz e servem para fazer sombreamento para as espécies clímax. Recomenda-se que as covas de plantio das espécies pioneiras devam ser feitas em ziguezague, proporcionando uma cobertura vegetal mais ampla.
O plantio das mudas pode obedecer a um espaçamento padrão de 3m x 3m.
As espécies clímax são de desenvolvimento mais lento, necessitam do sombreamento das espécies pioneiras para se desenvolverem. Produzem sementes e frutos e algumas espécies possuem vida média por volta de 100 anos.
A mata ciliar não deve ser plantada em cima da nascente. A renovação da vegetação junto à nascente deve acontecer de maneira natural.
Alguns exemplos de espécies nativas utilizadas no programa “Nascentes” do Governo do Estado de São Paulo:
Amendoim-bravo, Açoita-cavalo, Angico-branco, Angico-da-mata, Araçá-amarelo, Aroeira-pimenta, Capororoca, Cedro-rosa, Copaíba, Coração-de-negro, Ingá-do-brejo, Ingá-Indulis, Ingá-Mirim, Ipê-Amarelo, Ipê-Rosa, Ipê-Roxo-Bola, Jaracatiá, Jatobá, Jenipapo, Jequitibá-Rosa, Monjoleiro, Mutambo, Paineira, Pau-viola, Pitanga, Tamboril, Unha-de-vaca.
José Fernando Martinelli
Engenheiro Agrônomo
Especialista em Gestão Ambiental
Ex-secretário Municipal do Meio Ambiente de Orlândia
Servidor Público Municipal.