A preocupação com o Meio Ambiente, remonta aos primórdios da civilização, a ponto de um grande filósofo como Platão ter escrito:
“O que resta agora, comparado com o que existia, é como o esqueleto de um homem doente, toda a gordura e terra macia desapareceram, sobrando somente a moldura da terra[…] existem algumas montanhas que não têm nada além de alimento para as abelhas, mas possuíam árvores há não muito tempo[…] existiam muitas árvores variadas de espécie cultivadas e […] pastos sem fim para os rebanhos. Além do mais, o solo era enriquecido pelas chuvas anuais enviadas por Zeus, que não ficavam perdidas, como agora, correndo das terras nuas para o mar, mas o solo existente era profundo, recebendo, portanto, a água, retendo-a naquele solo margoso e […] alimentando todos os vários distritos com abundantes suprimentos de fontes e correntes, dos quais ainda existem os santuários, nos locais onde anteriormente existiam as fontes”.
O padre Cícero, tendo sido um exemplo de fé, também nos dá sua contribuição sobre seu pensamento a respeito da preservação do Meio Ambiente, o que verdadeiramente são tarefas diárias, permanentes e incansáveis
“Não derrube o mato, nem mesmo um só pé de pau. Não tocar fogo no roçado nem na caatinga. Não caçar mais e deixar os bichos viverem. Represar os riachos de cem em cem metros, ainda que seja com uma pedra. Plantar cada dia, pelo menos um pé de árvore, até que o sertão todo seja uma mata só. Construir uma cisterna no oitão da sua casa para receber água da chuva. Não crie boi nem bodes soltos, faça cercados e deixe o pasto descansar para ele se refazer. Se o sertão obedecer estes preceitos, a seca vai aos poucos se acabando, o gado vai melhorar e o povo terá sempre o que comer. Mas se não obedecer, dentro de uns vinte anos todo o sertão será um deserto só” (texto atribuído ao Padre Cícero).
José Fernando Martinelli – Engenheiro Agrônomo, Especialista em Gestão Ambiental,
Ex-secretário Municipal do Meio Ambiente de Orlândia, Servidor Público Municipal.