Postado 1/10/2020 as 6:34
‘Quando uma planta ou animal é introduzido em um habitat diferente pode entrar em disputa com as espécies nativas, e, geralmente, o invasor se dá melhor’.
A introdução de uma nova espécie animal ou vegetal em um ambiente novo pode causar surpresas desagradáveis.
Já mencionei isso em outro artigo em referência ao acontecido com a introdução do sapo-boi na Austrália por volta de 1935 – disponível em:
As árvores da espécie Leucena foram trazidas para o Brasil como uma alternativa à alimentação do gado, no entanto, hoje elas são consideradas uma praga porque destroem toda a vegetação próxima e uma ameaça ao meio ambiente onde elas estão inseridas.
Leucena (Leucaena leucocephala.), é uma planta nativa da América Central. É uma leguminosa perene, palatável com grande utilidade na alimentação de suínos, bovinos e caprinos, e sua resistência à seca foi de grande importância para sua utilização nos sistemas de alimentação de animais no Brasil.
À proporção que foi inserida em várias regiões do Brasil, o que a princípio era para ser uma grande vantagem, acabou sendo ou se tornando um problema sem precedentes, pois sua adaptação e propagação colocaram em ameaça a perpetuação das espécies nativas.
A Leucena quando se desenvolve plenamente acarreta prejuízos à diversificação vegetal da área, o que afeta significativamente toda a vida animal que dependem dessas vegetações para seu abrigo, alimento, refúgio; ocasionando assim, o comprometimento de todos os processos ecológicos naturais.
A Leucena é muito agressiva e invade os mais variados tipos de ambientes e ecossistemas, dominando rapidamente o local, o que acarreta os “desertos verdes” – de uma só planta – pois ela não deixa as espécies nativas da região desenvolverem.
O sinal de perda de biodiversidade em função a introdução desta espécie vegetal aparece em vários países não só no Brasil.
A eliminação desta espécie é muito difícil, o corte não a elimina, pois ela regenera, e há também a quantidade de sementes que fica no solo durante muitos anos com potencial germinativo, o que pode acarretar em recomposição da área.
Por conseguinte, é necessário conhecer o meio ambiente com suas peculiaridades e nos mínimos detalhes para que se possa introduzir algo sem alterá-lo ou prejudicá-lo.
José Fernando Martinelli – Engenheiro Agrônomo, Especialista em Gestão Ambiental, Ex-Secretário Municipal do Meio Ambiente de Orlândia, Servidor Público Municipal.
