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MP suspeita que ex-prefeita de Ribeirão Preto lavou dinheiro em compra de sítio de R$ 985 mil

 06/12/2017, 07:06:25
Documentos apreendidos na Sevandija apontam que genro de Dárcy Vera comprou propriedade em Fortaleza de Minas em 2013 após advogada começar a receber dinheiro indevido de honorários de ação em nome de servidores.
MP suspeita que dinheiro de propina foi usado por genro de Dárcy Vera na compra de sítio
 
Os investigadores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) suspeitam que a ex-prefeita de Ribeirão Preto (SP), Dárcy Vera (sem partido), lavou dinheiro de propina por meio da compra de um sítio avaliado em R$ 985 mil em Minas Gerais.
Segundo agentes da Operação Sevandija, a propriedade foi adquirida pelo genro da ex-chefe do Executivo, o ex-vereador Evaldo Mendonça, o Giló, em 2013, cerca de um mês depois que a advogada Maria Zuely Alves Librandi começou a receber, indevidamente, os honorários do "Acordo dos 28%", ação que ela moveu em nome de servidores contra perdas salariais do Plano Collor.
Em depoimento, o ex-vereador disse que o sítio foi comprado com recursos próprios provenientes da negociação de uma casa que era da família dele.
Recibo de nota promissória encontrada em escritório de ex-vereador e genro da ex-prefeita de Ribeirão Preto (SP) (Foto: Reprodução/EPTV) Recibo de nota promissória encontrada em escritório de ex-vereador e genro da ex-prefeita de Ribeirão Preto (SP) (Foto: Reprodução/EPTV)
Recibo de nota promissória encontrada em escritório de ex-vereador e genro da ex-prefeita de Ribeirão Preto (SP) (Foto: Reprodução/EPTV)
Acusada de receber R$ 7 milhões de propina e de chefiar a fraude dos honorários, com um desvio total de R$ 45 milhões, Dárcy está presa desde maio e foi levada nesta terça-feira (5) ao Fórum de Ribeirão para audiência do processo que trata do caso. Ela responde por corrupção passiva, organização criminosa e peculato - crime em que o agente público se beneficia do cargo que exerce.
A ex-prefeita se manteve calada diante dos questionamentos da promotoria e do juiz da 4ª Vara Criminal, Lúcio Alberto Eneas da Silva Ferreira, e respondeu somente as perguntas de sua advogada de defesa Maria Cláudia Seixas. Ela se disse inocente e afirmou que a família dela vive uma situação “deplorável” após a prisão, com os filhos trabalhando para arcar com despesas como aluguel e faculdade.
 
A compra do sítio
As suspeitas sobre a lavagem de dinheiro foram levantadas com documentos apreendidos por agentes da Operação Sevandija no gabinete do ex-vereador no ano passado.
A força-tarefa encontrou no escritório um contrato de compra e venda de um sítio de 42 hectares com 80 mil pés de café em Fortaleza de Minas, além de uma nota promissória de R$ 80 mil.
O negócio foi fechado em 25 de fevereiro de 2013 por R$ 985 mil, 25 dias depois que Maria Zuely Alves Librandi recebeu a primeira parcela dos honorários do "Acordo dos 28%", o equivalente a quase R$ 5 milhões.
Segundo as investigações, o ex-vereador não registrou a propriedade em seu nome nem a declarou à Receita Federal.
 
O depoimento de Dárcy
Após dizer seu nome completo, a ex-prefeita afirmou nesta terça-feira que permaneceria em silêncio e responderia apenas aos questionamentos da advogada Maria Cláudia Seixas.
Apesar dos cabelos mais longos e mal tratados, diferentes da época em que foi presa, Dárcy não parecia abatida. Ela expressou emoção em muitos momentos do depoimento, mas falava com a voz firme, como nos pronunciamentos quando ainda era chefe do Executivo.
“A senhora acha que, com R$ 7 milhões, eu teria andado de ônibus todo final de semana para fazer pós-graduação? Se eu tivesse R$ 7 milhões, teria quitado a minha casa, minhas filhas não estariam morando de aluguel”, disse a ex-prefeita em resposta a um dos questionamentos.
Durante as perguntas do promotor do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) Frederico de Camargo e do juiz Lúcio Alberto Eneas da Silva Ferreira, a ré permaneceu de cabeça baixa.
Na mesa de depoimentos, a ex-prefeita folheou documentos entregues pela defesa e fez anotações nos mesmos papéis.
Ainda respondendo a questões da defesa, a ex-prefeita disse possuir dois imóveis financiados, sendo um apartamento na Avenida do Café, na zona oeste de Ribeirão, e a casa onde vivia, no bairro Ribeirânia, além de um carro.
Dárcy contou que no apartamento vivem a irmã, que é professora, e a mãe, vendedora de cosméticos. Duas filhas moram na capital paulista, onde cursam o ensino superior. A ex-prefeita disse que ambas trabalham e dividem um imóvel alugado no bairro da Liberdade.
Ela também citou as realizações durante os oito anos de gestão, entre 2009 e 2016.
Maria Zuely Alves Librandi, ex-advogada do Sindicato dos Servidores Municipais de Ribeirão Preto (Foto: Reprodução/EPTV) Maria Zuely Alves Librandi, ex-advogada do Sindicato dos Servidores Municipais de Ribeirão Preto (Foto: Reprodução/EPTV)
Maria Zuely Alves Librandi, ex-advogada do Sindicato dos Servidores Municipais de Ribeirão Preto (Foto: Reprodução/EPTV)
 
Propina e fraude
Segundo a Polícia Federal e o Gaeco, Dárcy recebeu R$ 7 milhões em propina para facilitar o pagamento indevido de honorários à ex-advogada do Sindicato dos Servidores Municipais Maria Zuely Librandi, que atuou em uma causa movida pela categoria contra a Prefeitura.
A ex-prefeita estava sendo investigada desde a primeira fase da Operação Sevandija, que identificou fraude em contratos de licitações de R$ 203 milhões, pagamentos indevidos de honorários advocatícios pela Prefeitura e corrupção envolvendo nove vereadores da base aliada.
De acordo com o procurador-geral Gianpaolo Smanio, os desvios em Ribeirão formam um dos maiores escândalos de corrupção em prefeituras já investigados pelo Ministério Público paulista. Para Smanio, a ex-prefeita continuou a operar o esquema, mesmo após ser alvo de investigação.
Além de Dárcy e de Maria Zuely, são réus nesse processo o ex-advogado do Sindicato Sandro Rovani, o ex-secretário de Administração Marco Antônio dos Santos, o advogado André Hentz e o ex-presidente do Sindicato Wagner Rodrigues - esses dois últimos não estão presos.
Inicialmente, a Sevandija suspeitava que agentes públicos responsáveis por liberar os pagamentos do acordo judicial exigiam que Maria Zuely, que representou os servidores na ação movida em 1997, pagasse propina para receber os valores que lhe eram devidos na causa.
Entretanto, documentos apontaram que, na verdade, houve um acerto entre as partes muito antes dessa decisão judicial. Para o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), o acordo só ocorreu para que o valor total dos honorários, cerca de R$ 69,9 milhões, fosse desviado dos cofres públicos e dividido entre os envolvidos.
 
Fonte: https://g1.globo.com/sp/ribeirao-preto-franca/noticia/mp-suspeita-que-ex-prefeita-de-ribeirao-preto-lavou-dinheiro-em-compra-de-sitio-de-r-985-mil.ghtml

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